5 de setembro de 2020

TBT da lua de ontem


Foto: Cláudio Eufrausino



O ciberespaço travando

O céu de Recife pensando em trovejar

O céu de um lugar longe tão perto, que não consigo ver, mas pode me ouvir

A lua nos contando que é antônimo da distância

Um mundo que, usando óculos de degraus, 

Desafia a (e)vidência e consegue ser ainda mais bonito

E um eu que entende porque cachorrinhos

preferem a companhia de quem tem visão dos problemas


Ter companhia na hora de desembarcar no novo erro

É especiaria que tempera a luz, a escuridão, o tempo e o milagre

E me faz aguardar que a noite do sexto dia me chame

Pra ser uma alegria cada dia mais feliz

E fazer do verbo continuar o melhor presente


Se os erros antigos escaparem, 

Espero que a lua cheia que me visita no sexto dia

Me abrace em todas as fases do meu eu minguante


28 de agosto de 2020

Poema de desculpa

 

Foto: Cláudio Eufrausino.


O poeta também erra ao usar as palavras

Como a rosa que se esquece de que é um texto pontuado por espinhos


E só tem um jeito de o poeta se desculpar

É vendo teu sorriso sorrir

Mesmo quando ele precisar ficar offline


A ideia de ver-te o coração partir me deixa perdido no meio da sala

As armas tropeçam em calafrios


Não é necessário comparar quem voa até mim sem viajar

Com a luz, a noite, ou a natureza


Porque estou disposto a construir com ele as metáforas da existência


Gosto de sentir que posso ser linha aprendendo 

A se equilibrar nas tuas páginas em construção


Se minha palavra errar, espero que seja

pra aportar na tempestade que és

Ou navegar na adrenalina da tua serenidade


27 de agosto de 2020

Conjugação do verbo ilusão

 

Foto: Karla Vidal - @karlagvidal


Ilusão: verbo sem princípios; pronominal irreflexivo; anômalo, abundante na primeira pessoa do plural, feito de pessoas irregulares; gratidão, paixão, sem pressa, clareza


Eu me iludo

Tu me desiludes

Ele me desiludirá, talvez

Nós (não há?)

Nunca nós?

Voz cala

Eles (não) decidem

Nós construímos nosso nós

Nós desatamos

Se (tu) não me desistes

Eu não nos desisto

Nós nos elucidamos

Eles julgam

Eles, danai-vos!

Nós, ludo

Voz luditas

Nós nos lutamos

Nus nós



26 de agosto de 2020

O salto imortal do abismo

 

Foto: Cláudio Eufrausino.


Estaciono o olhar no depois e torço pra que ele seja indiscreto o suficiente

Pra que meu alvo asserte em cheio a flecha que me voa congelada 


Acreditar que existe quem nos espera por alguns minutos depois do fim, 

Saber o nome deste quem e ouvi-lo chamar quem eu posso arder

Quem em mim não sabia mais aguardar

Quem meu desterro revestiu de alternativa e asserto


É o desafio que minha imagem imprópria sempre e hoje quis refletir


[Lá] Onde a eternidade explodir em calor, corpo e colapso

[Se] Onde o eu passageiro for implodido a alçar voo pelo  ressurgir,

[Sol] Quero fazer amor com o que te for paradoxo e refazer o amor com tua trivialidade


O abismo dá um salto imortal

E os poderes se veem partitura do desconcerto

Quando o tempo inventa um estar de frente para o meu ao teu lado e para o ao meu lado teu


22 de agosto de 2020

Poema de sexta

Foto: Cláudio Eufrausino


Sou tão corpo

Arrisco-me a dizer que a verdadeira membrana que me plasma é o abraço

E minhas mitocôndrias respiram a falta de ar do beijo 


¿ E quando a felicidade nos empresta uma presença-distância que

Faz da queda da Internet a luz de velas de um jantar navegante

Onde Odisseu não é mais seu ou de mais ninguém?


Perdoe a falta de tato, mas preciso de um toque sobre quando poderei dedilhar,

À sangue quente,

A linha do Equador nos teus corpos e cavernas com direito a turbulência e a cala-frio


Amar quando se é abraçado é um sonho

Mas, amar também o abraço que não se pode abraçar é sonho que não teme ser realidade


Amar sendo texto principal é uma dádiva

Mas, amar sendo epígrafe dos capítulos é onde a vida é ávida


A maior parte do tempo de quem amamos é feito de onde não podemos estar juntos

Saber que existe quem faça este quem feliz, nesse onde onde não estamos,

Me traz o alívio de cifrar 

A música tocada pelo mistério da fé


Sair pra dentro de casa numa sexta à noite vira pleonasmo legítimo

Quando se está na melhor boa companhia

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