Foto: Cláudio Eufrausino
Quando você entrou de óculos: príncipe nerd
Foi inevitável não gostar de você desde que tínhamos 16 anos
E ainda nem nos conhecíamos
Por um instante, suas roupas não eram mais capazes
De esconder de mim uma nudez revestida de caligrafia
Nem minha mudez podia mais
Impedir seu Falo de se pronunciar dentro de mim
Como um aguilhão do qual mana leite e mel
Espero que meus lábios tenham sido indiscretamente sutis
Quando, segurando a despedida pelo impulso,
Sem falar, chamaram você de Meu Amor,
Com uma doce dose de impropriedade privada
É preciso total respeito
Para dizer que sou capaz de degustar você de baixo acima
Como quem usa a língua como guia para o desejo cego
Permita-me, quando chegar no seu recinto sagrado,
Após um dia inteiro de combates,
Tomar uma taça do seu abraço mais longo e apertado
Livre de qualquer grilhão
Visite meu dormitório, de óculos, entre na tenda,
Que finge ser manta, e se entrelace em mim, temperando-me com beijos a gosto, a setembro, a outubro, a ...
Desminta toda verdade que insiste em me fazer acreditar
Que não sou capaz de ex-calar, a despeito dos calos
Que se ajuntam na montanha dos meus passos,
Que, às vezes, parece ser feita somente de sopés
Chegue de óculos, para que eu não tenha pra onde correr
Como águas de um mar que, perdendo toda a vergonha,
Olha-se no espelho e diz: Soulrrio.

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