16 de julho de 2026

Poema de óculos

 


Foto: Cláudio Eufrausino


Quando você entrou de óculos: príncipe nerd

Foi inevitável não gostar de você desde que tínhamos 16 anos

E ainda nem nos conhecíamos


Por um instante, suas roupas não eram mais capazes

De esconder de mim uma nudez revestida de caligrafia 

Nem minha mudez podia mais

Impedir seu Falo de se pronunciar dentro de mim

Como um aguilhão do qual mana leite e mel


Espero que meus lábios tenham sido indiscretamente sutis

Quando, segurando a despedida pelo impulso,

Sem falar, chamaram você de Meu Amor,

Com uma doce dose de impropriedade privada 


É preciso total respeito

Para dizer que sou capaz de degustar você de baixo acima

Como quem usa a língua como guia para o desejo cego


Permita-me, quando chegar no seu recinto sagrado,

Após um dia inteiro de combates,

Tomar uma taça do seu abraço mais longo e apertado

Livre de qualquer grilhão


Visite meu dormitório,  de óculos, entre na tenda, 

Que finge ser manta, e se entrelace em mim, temperando-me com beijos a gosto, a setembro,  a outubro,  a ...

Desminta toda verdade que insiste em me fazer acreditar

Que não sou capaz de ex-calar, a despeito dos calos

Que se ajuntam na montanha dos meus passos,

Que, às vezes, parece ser feita somente de sopés


Chegue de óculos, para que eu não tenha pra onde correr

Como águas de um mar que, perdendo toda a vergonha,

Olha-se no espelho e diz: Soulrrio.

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