6 de março de 2017

Poema da gratidão ferida

Árvore de frevo
Foto: Karla Vidal



Embarquei numa tempestade sem respostas
E ao desembarcar, sinto-me afogado num deserto cheio de interrogações

Se meu caminhar é uma dúvida, meus passos não têm dívida alguma com 
O arqueiro que nunca empunhou um arco

Obrigado por tentar me fazer acreditar que nada do que digo ou faço tem valor
Por discordar de mim em tudo
Por zombar do meu físico, da minha postura
Por mostrar que um cachorro Labrador merece mais seu carinho do que eu
Por telefonar para quem sequer existe
Mas, mesmo sem existir, merece o dengo da sua voz mais que meus ouvidos

Agradeço porque minhas tentativas de te fazer feliz fizeram você
Me achar ridílouco

Sou grato por você me fazer quase acreditar que não sou digno de ser amado
Por ter convidado outra pessoa para o carnaval, para o bar, para dançar de rosto colado
E ter, sutilmente, me convidado a ficar invisível na mesa, na festa e na fotografia

Graças por usar os maiores clichês contra mim como se tentasse provar o tempo todo que eu sou desesperado por você

Amor, meu maior agradecimento é ao meu coração por não ter acreditado que

O que você acredita que eu sou é o que eu devo acreditar que sou

E por não conseguir ter certeza sobre nenhum dos versos deste poema


Em breve, o poema da gratidão redimida...

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