23 de novembro de 2015

Poema da Proposta Indecente

Jardim Botânico de Recife
Foto: Cláudio Eufrausino


Proposta indecente
Por John  Sedasphord

Medo quando tua proposta demora muito tempo a bater na porta
Da minha existência morna

Medo de que eu morra antes de chegar o momento em que possa esquentar meu ouvido externo
No teu colo

Meu ouvido interno no teu sussurro

Antes que possas acampar à minha porta dos fundos

Tenho coragem de descansar meu beijo nos teus lábios
E acreditar que não sou digno de nojo, enquanto tua sinfonia
Não me deixa esquecer que meu corpo espera ansioso que possas nele te acidentar

Não se afaste, pois me excita te ver suportando tão destemidamente
Meu orgulho e minhas cicatrizes coadjuvantes

Me parece que todo neurótico que se preza guarda na manga
Pelo menos uma proposta indecente

A minha é a de que me ajudes a acreditar que não sou
Indigno de ser

Percorra
As minas orgásticas plantadas na linha do meu destino
Que eu possa dormir meu cangote na tua carícia
E hibernar meu rosto no teu peito

Minha proposta indecente é que lembres de mim daqui a um ano
E não esqueças de mim nas próximas 24h

A indecência chove de meus poros ciosos pela tensão superficial de teu quase toque
Ela propôs rasgar a tradução juramentada do ouro em diamante
Só para ter o prazer de te amar gratuitamente
Sob o risco de tuas intempéries

É uma indecência que não consegue esconder o quanto te acha incrível

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...