6 de junho de 2016

Prece pelo Brasil golpeado e ferido



Senhor, permita-me falar contigo em voz alta
Para sentir que estou falando com uma pessoa e não com uma metáfora
Ajuda todos os que estão tendo suas bolsas e asas de pós-graduação cortadas
As crianças e jovens que terão seus sonhos cortados
Para que custe menos aos miseráveis de colarinho branco
Manter-se invulneráveis e blindados

Que não entre em vigor a noção de que estar bem
É não estar mal sozinho
E que ver os sonhos alheios ruírem
Não seja a medida do progresso
Nem a jurisprudência que faz das leis sopa de letras
Seja o arcabouço da ordem

São José operário possa se juntar a mim nesta prece
Ele que viveu o desterro, que viu o filho nascer na estribaria
Porque não achou lugar
Que o Cristo nascido como metáfora da lavagem
Ajude-nos a achar lugar  e meta nesse mundo perdido dentro-fora da galáxia Brasil
E que o lugar no mundo não seja reduzido ao desejo de fugir
Para o paraíso europeu
Que sejamos capazes de construir novos lugares
Sem precisarmos de visto para o degredo

Que o luxo diminua e o conforto cresça
Rasga o terno e gravata que insiste em descosturar a nudez dos sonhos
E esvazia as piscinas que, às custas do cansaço impingido à sede de justiça,
Encheram-se de água mineral para virar criadouro de dengo
De miseráveis togados, que nunca experimentarão o sabor da água viva.

Abre os olhos de nós pobres que, para pensarmos que somos ricos,
Corremos o risco de acreditar que o mundo está naturalmente dividido
Entre quem é rico em 12 vezes
E quem parcela a fome em 30 vezes mensalmente.

Ajuda-nos, a não vendermos o nosso Bom Dia
E não nos contentarmos com o trocado de uma conta milionária no exterior
Regada à falta de leitos em hospitais que teimam em fingir que existem

Que um grande amor possa me encontrar numa das esquinas dessa crise farsante

Porque a crise, em boa companhia, tem aroma secreto de desafio

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