Quando eu te reencontrar, posso me convidar a ir pro cinema contigo?
E depois posso me convidar a assistir tua chatice de camarote?
Posso também nos convidar a sermos novos um no abraço do outro?
Posso te encontrar por acaso num protesto, num restaurant ou numa galeria?
Mesmo quando eu estiver namorando, podes continuar sendo meu grande amor?
Quando o teu carro quebrar, posso chegar pra te buscar antes do Seguro?
Quando teu namorado te esquecer no aeroporto, posso estar lá pra te desesquecer?
Quando estiveres febril, posso ser o abril que chega com mais um ano de vida pra te dar de presente?
Posso te amar em segredo em pleno meio-dia da Piazza Navona?
Posso te desarmar?
Posso te pedir pra dizeres Bom Dia quando me ligares confidencialmente?
Linchamento retratado por Ângelo Agostini em São Paulo (1888). Fonte: Revista Carta Escola
Desiludido pela ducentésima vez com meu novo amor e pela quingentésima
com meu amor secreto – cujo paradeiro é desconhecido desde 20?? - quase desisti
de escrever. Mas não resisto a uma provocação e não tenho culpa se a insônia me
provoca e as redes sociais também.
Recentemente, o Papa Francisco escreveu sobre a letargia que
toma conta da sociedade, uma espécie de ressurreição da acedia, nome dado ao
sentimento de impotência e desolação que afligia particularmente os monges em
peregrinação pelo deserto. Daí este sentimento ter sido apelidado de “Demônio
do Meio-Dia”. Hoje, segundo Francisco, esse mal que, antes era considerado
eminentemente espiritual, seria conhecido por nós como depressão, assumindo
contornos de um distúrbio em parte químico e em parte psíquico.
Porém, não é a Acedia nem a depressão o tema desse texto,
mas sim o questionamento acerca da Letargia dos “Santos” dos Últimos Dias.
Na balança dos afetos, uma disfonia, regida pela impunidade,
faz com que a sociedade oscile entre a letargia (e seus derivados, a saber, a
indiferença, a impotência, a preguiça e o desencanto) e a euforia sádica. E,
num mesmo cenário, é possível testemunhar coabitarem, de maneira terrível,
indivíduos que dedicam sua potência ao linchamento e outros que assistem sem
esboçar reação alguma, trazendo no rosto o nadismo: mistura de tédio narcísico e
crueldade blasé. Refiro-me ao vídeo que anda circulando na Internet sobre a execução
de uma mulher que havia matado um cachorro, queimando-o com um maçarico.
Seria precipitado falar em uma bipolaridade social. Mas,
algo metaforicamente próximo dessa doença está se instalando no atual contexto.
E, talvez certamente, seja uma resposta a nossa paralisia diante de dilemas
morais. Tentamos nos convencer de que
tudo é relativo, mas não conseguimos desospedar do espírito o fantasma do
absoluto. E, pior ainda, professamos um relativismo que, na prática, não
sabemos implementar. Diante de situações extremas, que desafiam medos e
preconceitos arraigados, perde-se de vista a saída do labirinto e se quer agir
como um homem-bomba, mandando tudo, inclusive Ariadne (ou a saída), pelos ares.
Letárgicos diante de um mundo que parece abortar qualquer
tentativa de mudança, posto que está em eterna crise, indivíduos têm dado vazão
a impulsos de terror, como se este fosse a única força com a qual seria possível segurar
as rédeas de supostas oportunidades de fazer o que a sociedade nos negaria.
Neste sentido, o linchamento seria a nefasta tentativa
de se combinar “Justiça”, fuga do tédio, crueldade e o desejo oculto de assumir
o trono dos deuses da covardia. E, após esses espasmos de heroísmo desvirtuado,
a alma fútil retorna ao estado de letargia que, somada ao riso prostituído,
anestesia o cotidiano, numa sociedade, onde os diferentes espaços resumem-se à
sinistra sala de jantar da canção Panis et Circenses. E esse revezamento entre letargia
e euforia linchante também assalta as redes sociais, escoradas na blindagem do anonimato.
Não queria dizer, mas Vossa Mercê é quem está perdendo...
Perdendo a companhia de uma pessoa duplamente especial:
especial pelo que ela é e também pelo que ela está... no Cheque Especial.
Rapaz de ouro, trabalha pela paz no trânsito e quando o
pavio encurta, o máximo que faz é ameaçar com seus Nuncas Mais:
Nunca mais vou te ver, ouvir, falar contigo, etc. Como se quisesse
que um Cavaleiro de Ouro lhe arrancasse todos os sentidos, menos o 6,5º: a
saudade.
Mas é muito nunca
mais pra pouca mordida: nuncas mais com validade de dois minutos.
...Você é que está perdendo
Esse jovem adulto , que vive do trabalho pra casa, pra
academia e pro cinema só pra ter desculpas pra lembrar de ti. É um cidadão que
pode até se casar, mas que, certamente talvez, não conseguirá desaprender a
fazer de ti seu grande amor.
Insisto:você está
perdendo
Ele é engraçado e muito desconfiado. Tantas vezes infantil e
muitas tantas outras um serial-freeler (free-lancer em seriedade, pra que não
restem dúvidas).
Especialista em derrubar teu mau-humor com seu golpe
secreto: paciência. Não paciência que dá trabalho, mas sim paciência de quem
gosta de tua companhia
Ele fez cirurgia para correção de 12º de
astigmatismohipermetrópico, mas não conseguiu aprender como desimpressionar a
face boreal tua de suas retinas (as dele). O tempo passou, mas há tanto futuro guardado na
mochila e tanto caminho a ser desbravado por estes dois pés esquerdos de
audácia e de esperança-gentil órfã de solo, apátrida como ela só.
Você está perdendo: no sim, no não e no talvez
Vai ser difícil achar alguém quete espere com tanta desenvoltura nas esquinas
dos descaminhos, com a pureza de quem topa assistir contigo uma maratona de
Star Wars e de Star Peaces, também: penitência para os filmes pornô tantas
vezes assistidos: em gestos, palavras e atos.
Só não dá pra me omitir diante da tua lindeza. Feliz segunda, terça, quarta, justa, aumentada, diminuta. Feliz Partitura e Feliz Retornura e Reternura, pour quoi pas?
E treine bastante (três séries diárias de 400 metros de abraços com barreiras-beijo são
o suficiente pra começar) para não continuar me perdendo. Mas que seja eu o personal trainer clandestino.
Esta semana recebi duas ligações de celular em que assinavas com o pseudônimo de "Confidencial". Que bom que retornaste meu Bom Dia Alternativo e não desististe de querer que eu te escreva.
Meu corpo se vestiu de terno e gravata pra que teus olhos à distância pudessem prevê-lo, imaginá-lo quiçá. Mas minha elegância só faz sentido porque anela por teu abraço: e nos teus braços sou mais elegante nu.
Se teu anonimato me excita, acho que vou ter algo próximo de um ataque (org)asmático quando ouvir Confidencial me dizendo, ao menos, um Oi, na outra margem do contato telefônico. Reste tranquilo que, apesar disso, venho armazenando ar residual o suficiente para que nosso primeiro beijo tire meu fôlego e quando teu corpo se esfolegar no meu, nossos hálitos apagarão as frentes frias, desmentirão os desertos e elevarão as miragens ao status de fato.
E no meu abraço poderás usufruir do meu coração, cujas batidas intermitam entre o fragor da tempestade e a doçura de uma valsa dançada na Rua da Guia.