6 de junho de 2015

Interrogatório



Fonte: Blog Laberinto Recto



Interrogatório

Por Linardo Cleto


Quando eu te reencontrar, posso me convidar a ir pro cinema contigo?
E depois posso me convidar a assistir tua chatice de camarote?
Posso também nos convidar a sermos novos um no abraço do outro?
Posso te encontrar por acaso num protesto, num restaurant ou numa galeria?
Mesmo quando eu estiver namorando, podes continuar sendo meu grande amor?
Quando o teu carro quebrar, posso chegar pra te buscar antes do Seguro?
Quando teu namorado te esquecer no aeroporto, posso estar lá pra te desesquecer?
Quando estiveres febril, posso ser o abril que chega com mais um ano de vida pra te dar de presente?
Posso te amar em segredo em pleno meio-dia da Piazza Navona?
Posso te desarmar?
Posso te pedir pra dizeres Bom Dia quando me ligares confidencialmente?

4 de junho de 2015

Poema que mudará de cara dia sim dia não



Em construção.












 



.Poesia, tu que és sincera, sem correr o risco de ser verdade
Ajuda-me a, por ontem, não precisar abastecer com Bons Dias e Obrigados
E, que, na noite passada, eu não precise ser a clarividência do profeta Daniel
Vinte anos atrás, não sinta eu sede de decifrar nos abismos 
O istmo que me conduzirá ao “Estou sendo amado”

.Meio minuto antes de anteontem, tomo uma Twister
E meu coração caminha descalço pela corda inativa do desequilíbrio
Que o “Nos outros episódios de mim” desvende o abraço que insiste
Em me acenar como um cativeiro que trancou o sequestro do lado de fora
Debaixo de uma chuva que molha a todos menos a mim

.E de um sol desafinado, diminuto, sem clave para chamar de sua
Depois desse chá de resolução, meu Há 4 anos não quererá esperar tua ida até o carro
Para encontrar em ti novas formas de embebedar a lindeza de significado
E escutar meu descanso batendo no teu peito
Peguei no sonho só por cinco eternidades
E, antes que acordasse, tu vens e repaginas o tempo
E ele vira plateia sem aplausos
Pedindo que eu permaneça no picadeiro

.Sopra nos eu-te-amos que estão ardendo
Represados nos amanhãs não germinados
Nas cenas dos próximos capítulos que procuram a saída
Neste labirinto de antes e de talvezes
Minha coca-cola está lá, desconsolada,
Esperando pelo teu sorriso que não chega e que é mais do que suficiente
Para excitar minha alma, como se ela fosse o mais doce versículo
Que um texto apócrifo já escreviu

.A gaveta, há 4 anos, me pergunta quando terei a chance
De te dar de presente aquela camisa com estampa de Hulk
E, meu carinho procura em teu corpo uma brecha biométrica
Capaz de acionar teu descanso no meu colo

.E que, neste segundo que acabou de soluçar,
Mais um eu-te-amo se desdiga
Pois nossa cama viverá, até o parto do sol,
Dos nossos silêncios disfarçados de rostos que se roçam
De nucas que se apalpam
De beijos que migram do bojo do impossível
De interrogatórios sem culpa

Rumo às fronteiras do “Por Que Não?”







.Sonhei que te conhecia novamente 
E todos os punhais de superstição
viraram do avesso
Você sorriu pra mim pela primeira vez
(charme de dentes incisivos)
E eu deixei de ser aquele velho misto de
Carne osso e invisibilidade
Não consegui aprender ainda a deixar de ser, a seus olhos, 
Desimpressionante
E meus pés e mãos trocados
Sentem-se tão frios 
e meu corpo se sente
Tão desabraçado
Sei lá, bobagem de quem há uns 30 anos
Pede licença ao espelho
e pede à rua para convidá-lo a sair
Acho que meu anjo (que não me pertence)
Já deve ter me esquecido
E me traz tanta saudade
Que seria, talvez, menor
Se fosse seu nome somente venezuelana cidade




3 de junho de 2015

Entre o linchamento e a letargia: o delirante dilema proposto pela contemporaneidade tardia


Linchamento retratado por Ângelo Agostini em São Paulo (1888). Fonte: Revista Carta Escola


Desiludido pela ducentésima vez com meu novo amor e pela quingentésima com meu amor secreto – cujo paradeiro é desconhecido desde 20?? - quase desisti de escrever. Mas não resisto a uma provocação e não tenho culpa se a insônia me provoca e as redes sociais também.

Recentemente, o Papa Francisco escreveu sobre a letargia que toma conta da sociedade, uma espécie de ressurreição da acedia, nome dado ao sentimento de impotência e desolação que afligia particularmente os monges em peregrinação pelo deserto. Daí este sentimento ter sido apelidado de “Demônio do Meio-Dia”. Hoje, segundo Francisco, esse mal que, antes era considerado eminentemente espiritual, seria conhecido por nós como depressão, assumindo contornos de um distúrbio em parte químico e em parte psíquico.

Porém, não é a Acedia nem a depressão o tema desse texto, mas sim o questionamento acerca da Letargia dos “Santos” dos Últimos Dias.

Na balança dos afetos, uma disfonia, regida pela impunidade, faz com que a sociedade oscile entre a letargia (e seus derivados, a saber, a indiferença, a impotência, a preguiça e o desencanto) e a euforia sádica. E, num mesmo cenário, é possível testemunhar coabitarem, de maneira terrível, indivíduos que dedicam sua potência ao linchamento e outros que assistem sem esboçar reação alguma, trazendo no rosto o nadismo: mistura de tédio narcísico e crueldade blasé. Refiro-me ao vídeo que anda circulando na Internet sobre a execução de uma mulher que havia matado um cachorro, queimando-o com um maçarico.

Seria precipitado falar em uma bipolaridade social. Mas, algo metaforicamente próximo dessa doença está se instalando no atual contexto. E, talvez certamente, seja uma resposta a nossa paralisia diante de dilemas morais.  Tentamos nos convencer de que tudo é relativo, mas não conseguimos desospedar do espírito o fantasma do absoluto. E, pior ainda, professamos um relativismo que, na prática, não sabemos implementar. Diante de situações extremas, que desafiam medos e preconceitos arraigados, perde-se de vista a saída do labirinto e se quer agir como um homem-bomba, mandando tudo, inclusive Ariadne (ou a saída), pelos ares.

Letárgicos diante de um mundo que parece abortar qualquer tentativa de mudança, posto que está em eterna crise, indivíduos têm dado vazão a impulsos de terror, como se este fosse a única força com a qual seria possível segurar as rédeas de supostas oportunidades de fazer o que a sociedade nos negaria.

Neste sentido, o linchamento seria a nefasta tentativa de se combinar “Justiça”, fuga do tédio, crueldade e o desejo oculto de assumir o trono dos deuses da covardia. E, após esses espasmos de heroísmo desvirtuado, a alma fútil retorna ao estado de letargia que, somada ao riso prostituído, anestesia o cotidiano, numa sociedade, onde os diferentes espaços resumem-se à sinistra sala de jantar da canção Panis et Circenses. E esse revezamento entre letargia e euforia linchante também assalta as redes sociais, escoradas na blindagem do anonimato.




11 de maio de 2015

Feliz Segunda ou Você é quem está perdendo..!




Fonte: Mega Wallpaper



Sem título
Por Linardo Cleto

Não queria dizer, mas Vossa Mercê é quem está perdendo...

Perdendo a companhia de uma pessoa duplamente especial: especial pelo que ela é e também pelo que ela está... no Cheque Especial.
Rapaz de ouro, trabalha pela paz no trânsito e quando o pavio encurta, o máximo que faz é ameaçar com seus Nuncas Mais:
Nunca mais vou te ver, ouvir, falar contigo, etc. Como se quisesse que um Cavaleiro de Ouro lhe arrancasse todos os sentidos, menos o 6,5º: a saudade.

Mas é muito nunca mais pra pouca mordida: nuncas mais com validade de dois minutos.

...Você é que está perdendo

Esse jovem adulto , que vive do trabalho pra casa, pra academia e pro cinema só pra ter desculpas pra lembrar de ti. É um cidadão que pode até se casar, mas que, certamente talvez, não conseguirá desaprender a fazer de ti seu grande amor.

Insisto:  você está perdendo

Ele é engraçado e muito desconfiado. Tantas vezes infantil e muitas tantas outras um serial-freeler (free-lancer em seriedade, pra que não restem dúvidas).

Especialista em derrubar teu mau-humor com seu golpe secreto: paciência. Não paciência que dá trabalho, mas sim paciência de quem gosta de tua companhia

Ele fez cirurgia para correção de 12º de astigmatismohipermetrópico, mas não conseguiu aprender como desimpressionar a face boreal tua de suas retinas (as dele). O tempo passou, mas há tanto futuro guardado na mochila e tanto caminho a ser desbravado por estes dois pés esquerdos de audácia e de esperança-gentil órfã de solo, apátrida como ela só.

Você está perdendo: no sim, no não e no talvez

Vai ser difícil achar alguém que  te espere com tanta desenvoltura nas esquinas dos descaminhos, com a pureza de quem topa assistir contigo uma maratona de Star Wars e de Star Peaces, também: penitência para os filmes pornô tantas vezes assistidos: em gestos, palavras e atos.

Só não dá pra me omitir diante da tua lindeza. Feliz segunda, terça, quarta, justa, aumentada, diminuta. Feliz Partitura e Feliz Retornura e Reternura, pour quoi pas?

E treine bastante (três séries diárias de 400 metros de abraços com barreiras-beijo são o suficiente pra começar) para não continuar me perdendo.  Mas que seja eu o personal trainer clandestino.

3 de maio de 2015

Ao meu Confidencial predileto


Tuxedo Mask - Fonte: Deviantart


Esta semana recebi duas ligações de celular em que assinavas com o pseudônimo de "Confidencial". Que bom que retornaste meu Bom Dia Alternativo e não desististe de querer que eu te escreva.

Meu corpo se vestiu de terno e gravata pra que teus olhos à distância pudessem prevê-lo, imaginá-lo quiçá. Mas minha elegância só faz sentido porque anela por teu abraço: e nos teus braços sou mais elegante nu.

Se teu anonimato me excita, acho que vou ter algo próximo de um ataque (org)asmático quando ouvir Confidencial me dizendo, ao menos, um Oi, na outra margem do contato telefônico. Reste tranquilo que, apesar disso, venho armazenando ar residual o suficiente para que nosso primeiro beijo tire meu fôlego e quando teu corpo se esfolegar no meu, nossos hálitos apagarão as frentes frias, desmentirão os desertos e elevarão as miragens ao status de fato.

E no meu abraço poderás usufruir do meu coração, cujas batidas intermitam entre o fragor da tempestade e a doçura de uma valsa dançada na Rua da Guia.
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