18 de maio de 2023

O que não tem preço

 


                                    Colagem - Karla Vidal


Você receberia quanto pra deixar eu ser seu amante?

Não pergunto por achar que você tem um preço,

Ou que o amor tenha preço (culpa da curiosidade jornalística)


É porque, na modalidade de consultoria, não haveria, talvez, lugar para a timidez 

Uma cláusula contratual poderia afastar o medo de que, depois do amor,

Viessem cobranças ou represálias, de ser alugado por qualquer tipo de dependência


Na verdade, pagar seria fazer de conta que o amor é pago

Como quem abre um paraquedas pra aliviar a leveza da imensidão

Fazer de conta que o amor é pago pra atenuar a curiosidade

De saber como é sentir sua respiração (a)tingindo minha aura

E me revestindo de clímax


E, se houver outra (s) amante (s), não quero tomar conhecimento

Basta que esta pessoa saiba que não pretendo ir embora

Que meu segredo vai continuar inventando novas maneiras

De não esconder de você o quanto me orgulho,

O quanto é bom você me carregar nos braços enquanto voa

O quanto vale a pena desafiar o espaço-tempo pra ensinar meu dia-a-dia

A fazer parte do seu


Que sua próxima viagem seja linda como a lua que brinca 

De ser brinco de pérola dos jardins de você

Vá, mas sempre volte 

Porque quando você volta tudo que possa ser escuridão se apaga








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