28 de junho de 2012

Quand J'ai etudié Français pour ne pas savoir quoi dire and wish Someone Un bon Voyage


Foto de Alba Luna




Deixo vocês com uma poesia de Cerevenise Stür. Logo em seguida, apresentamos o poema em sua língua original.




Em Francês com erros
Tradução:

Quand j'ai commencé à apprendre le français, j'ai remarqué quelques petites choses communes à l'apprentissage d'une langue étrangère ...

...  À l'apprentissage des ètrangèrs:

À l'apprentissage en commun

Peu commun...

Apprendre une langue n'est pas un n'import quoi
Parce que cela, simple et compliquément, donne à des choses une nouvell'importance

On doit demander la permission pour permettre à l'autre de nous entendre
Il fault que nous nous permettons d'être entendu par d'autres
On doit être prudents:

Pour ceux qui apprennent une nouvelle langue,
Tais-vous une partie de la voix de votre âme
Lorsque vous appelez les voix des autres
Car, dans la même âme, vou inviterez à la danse
Les silences de votre langue maternelle


Il est vrai que
Mon français est
Fabriqué à partir de morceaux de voix d'autres personnes
Pièces intacte,
Patauge Sourire radioactifment enrichi 
Anti-héroïsme dans laquelle la promesse est planté
Et cultivé par l'épopée et la surprise,

Je ne sais pas si Je fais une erreur, mi àngel, en disant en français
Ce que le don des langues infinies
Dejá n'est pas permis de traduire dans ma langue elle-même
Ce que la télépathie vainement tenté de profaner
Ce que le mystère imprudemment cru cacher
Je ne sais pas si il est un erreur essaier de dire en Français
Quelque chose tellement vivant et croissante
Qu'il ne peut pas être dit par les mots:
Ces lunes décroissantes

Parce que tous les dictionnaires ainsi que
Tous les circuits intégrés
Ou tous les réalisation de l'esprit et de les vérités
Ne seront pas en mesure de donner le sense juste
À l'heure actuelle, de faire le train de l'expression
Trouver la sortie de l'arrivée
Quand il ne sa pas la différence entre la station d'origine et la station de la fin (.)


Et après tant en français
Tant de voix en moi
Je trouve que j'ai appris le français
Pour te souhaiter, mon humain(e), mon noble Quelque-Un
Un Bon Voyage
Et ne savoir pas comment dire en silence,
Le plus de felicité que Je te souhaite
Et que tu rentre ta présence le plus tôt.
Et que dans ton atterrissage, Je peux être de tour ou de retour dans ton cœur.



Fonte: Imagens astronômicas



En Français
A poem by Cerevenise Stür


When I started learning French, I noticed a few things any foreign language learn to be learnt ...

... Foreign Common learning:

Common foreign learning ...

Uncommon

: Learning a language is not any something
It is not any thing because it means simple things intricateanyly

By learning, you get the permission to allow the other to hear you
And you allow yourself to be heard by others
But, be careful ...

For those who learn a new language
It is necessary to summarize the voices at, on and in their souls
Cause It is the moment for calling the voices of others
And inviting them to dance
The silences of their native language.


It is true that
My French is
Made from pieces of other people's voices
Pieces intact pieces,
Hesitations enriched by radioactive smiles
Anti-heroism in which is planted the promise of
A record harvest of epic surprise.

I do not know if I am wrong, meu anjo, by saying in French
What the gift of infinite languages
Is not allowed to translate in my language itself
What telepathy vainly tried to desecrate
What the mystery rashly believed able to hiding
I do not know if it is an error to say in French
Quelquechose so lively and waxing
It cannot fit itself
Still less to fit a word: such a waning moon.

Because neither all together dictionaries
Nor all integrated circuits
Neither every achievement of the minds and of the truths
Will be able to giving the right word
To this right now,
To expressing the world
Without the help of a train
Whose arrival is the delay, cause It cannot leave the station of end
Nor staying at the station of origin.


And after so much French
So many voices I find in me
I found I learned French just
To wish you, meu humano, Un Bon Voyage
And  for not knowing how to say in silence,
How I wish you to be happy
And let your presence be right back.
And that you let me be a presence right back or right at and on and in your heart.





In French

Quando comecei a aprender Francês, percebi algumas coisas comuns à aprendizagem de qualquer língua estrangeira...

... Comuns à aprendizagem do Estrangeiro:

Comuns à aprendizagem

Incomuns...

Aprender uma língua não é qualquer coisa
Não é coisa qualquer porque implica coisas complicadamente simples

É preciso pedir licença para que o outro se permita nos ouvir
Preciso é que nos permitamos ser ouvidos pelo outro
Há que se ter cuidado:

Pois quem aprende uma nova língua
Calará um pouco da voz de sua alma
Ao chamar as vozes de outras pessoas
Para, nesta mesma alma, convidarem para dançar
Os silêncios de seu idioma natal


É fato que
O meu Francês é
Feito de pedaços de vozes de outras pessoas
Pedaços íntegros,
Hesitações enriquecidas de radiativo sorriso
Anti-heroísmo no qual está plantada a promessa
De uma safra recorde de surpresa épica

Não sei se erro, meu humano, ao dizer em Francês
O que o dom das infinitas línguas
Não se permitiu traduzir do meu idioma para si mesmo
O que a telepatia inutilmente tentou profanar
O que o mistério precipitadamente acreditou esconder
Não sei se erro ao dizer, a Alguém, em Francês algo que
De tão sempre vivo e crescente
Não cabe nem em si
Quanto mais na palavra: essa lua minguante

Porque, nem todos os dicionários juntos
Nem todos os circuitos integrados
Nem toda proeza das mentes e  das verdades
Me serão capazes de dar a palavra certa
Nesse exato momento, o expresso da palavra
De saída, está atrasado
De chegada, não consegue deixar a estação de origem


E, depois de tanto Francês
De tantas vozes em mim
Descubro que aprendi Francês
Para te desejar, mon ange, Un Bom Voyage
E para não saber como dizer, em silêncio,
O quanto desejo que sejas feliz
E que tua presença esteja logo de volta.
O quanto desejo, na tua aterrissagem, estar de volta ou de ida em teu coração.



Se tanto me dói - Sophia Andresen

25 de junho de 2012

Luiz Gonzaga na mais alta conta no Baixio dos Doidos

Foto: Karla Vidal




Cheguei a "praguejar", como diria um bom "cabra da peste", devido ao atraso de alguns dias que houve para ser inaugurada a exposição Baixio dos Doidos, instalada em Caruaru, durante os festejos juninos, para homenagear o centenário de nascimento de Luiz Gonzaga. Mas, este atraso foi providencial, como  o atraso que faz o ponteiro do relógio de sol andar para trás, quando Deus decide mudar de ideia e postergar o dia da morte de alguma pessoa.

O cenário da exposição é de um trem fantasma em que os vagões são nossos próprios corpos. Há fantasmas a ser "vistos", mas não há monstros. E ocorrem sustos porque sempre há susto quando algum segredo nos espera por trás da porta, mesmo que tal porta seja feita não de madeira, mas sim de suspense com expectativa. Nesse caso, os cômodos da casa - que também pode ser chamada de exposição ou de instalação - são guardados por sentinelas que, ao contrário dos anjos, convidam-nos a voltar ao passado ou, mais precisamente, a um tipo de futuro do pretérito, visto que o Luiz Gonzaga homenageado é uma releitura que nos lança rumo a um Luiz Gonzaga que ainda vai nascer.

Foto: Thomás Alves (G1/TV Asa Branca)
De certa forma, não há nada de novo, pois a obra de Luiz Gonzaga foi feita de passados que cabem em qualquer futuro. Segue-se por um labirinto cujas salas com nome de canção ou cujas canções com nome de sala transformavam o momento presente num eterno ponto de chegada partida para o voo de algum pássaro nordestino - um assum preto ou uma asa branca ou uma saudade ou um não-prejuízo.

Os mortos que surgem nas paredes do trem fantasma continuam mortos. Os mortos que surgem nas paredes do Baixio dos Doidos são como ressuscitados que esperam chegarmos em cada canção (ou sala) para desmorrerem. Não tenho bem certeza, mas até acho que vi Chico Science desmorrendo, ressuscitando.

Foi quando presenciei uma releitura - por meio de fotos de crianças brincando de Neymar nos manguezais da vida - da música "Vi  dois siri jogando bola (lá no mar)". Luiz Gonzaga já havia sido comparado aos Beatles, mas ainda não havia percebido que ele era precursor do Mangue Beat. Ele, com despretensão e brinquejando, já aludia para como o subdesenvolvimento deixava as pessoas na fronteira entre humanidade e animalidade. E isso sem, provavelmente, ter precisado ler a obra de Kafka, que, certamente, lera Josué de Castro.

A sala da Asa Branca não focou a tragédia do sertanejo, mas deteve sua atenção no olhar de Rosinha, a heroína da canção-lamento. Reza a lenda que o verde dos olhos da amada, quando terminasse a seca, se espalharia pela plantação. E assim se fez: diante das fotos em preto e branco daqueles homens e mulheres de olhos verde-desespero/esperança, não pude deixar de mandar buscar, no outro lado do Atlântico, do castanho do olhar de Alguém, isto é, sua lembrança.

Tinha também uma parede toda furada que me chamava para brechar. Cada buraco - de tiro que não era tiro- era um monóculo, que apresentava a "tradução" de alguma expressão típica do vocabulário sertanejo. E, assim, enquanto ouvia o "fantasma" de Arnaldo Antunes declamando o ABC do sertão,descobri que estrupício significa "problema de grandes proporções".

Foto: Karla Vidal
Também me impressionou a sala "Paraíba Masculina, mulher-macho, sim Senhor!", na qual uma jukebox tocava a canção ouvida por fotos de drag queens penduradas nas paredes. Quando de seu lançamento, a música foi acusada de boicotar a feminilidade das mulheres quando o que Gonzaga queria não era nada mais do que ressaltar o que, no contexto atual, seria chamado de Girl Power. A exposição acabou por revelar, através de fotos, que essa música foi apropriada pelas drag queens como símbolo de resistência. E, nessa hora, escutei a melodia invisível de outra música: "Que diferença da mulher o homem tem (...) Se for reparar direito é pouquinha a diferença".

Antes do fim, fui obrigado a cruzar uma sala repleta de serpentes penduradas no teto como lustres. Fechei os olhos e atravessei ligero, protegendo o rosto com as mãos. O som que ouvi enquanto atravessava logo me fez despertar para o fato de que não eram serpentes, mas sim chocalhos, daqueles que as vacas, como pessoas educadas que são, usam para anunciar sua chegada a um determinado ambiente. Aquele som era como um tempo desencontrado que me achara ali perdido e, por meio de uma sensação de conforto triste que fez minha boca ficar seca sem ter sede, dizia que a derradeira sala da exposição vinha depois da última e antes da primeira. Essa sala era eu, coração!


A exposição segue, em Caruaru (Pernambuco), até 15 de julho.




Sala "Siri jogando bola" do Baixio dos Doidos



Sala "A morte do vaqueiro" do Baixio dos Doidos



Sala "Xote das meninas" do Baixio dos Doidos



Making of da exposição Baixio dos Doidos

23 de junho de 2012

São João, Alan Turing e a castração simbólica


Alan Turing
Fonte da imagem: Transcultural Buddhism

Alan Turing estaria completando cem anos. Ele é considerado um dos pioneiros da automatização da lógica binária (formada por zeros e uns), isto é, da computação.  E foi vítima de um tipo de preconceito herdeiro dessa mesma lógica binária que, por sua vez, é herdeira de uma apropriação extremista do Cartesianismo, o qual pressupõe a verdade do mundo como a divisão entre o Sim e o Não sem tolerância aos nuances intermediários da ambivalência.

O cientista foi, a exemplo de Oscar Wilde e Verlaine, processado criminalmente por conta de sua homossexualidade, considerada ilegal na Inglaterra dos anos de 1950. 

Turing foi publicamente humilhado, sendo impedido de dar continuidade a seu trabalho como pesquisador. Ele foi também submetido a uma castração química. Recebeu altas dosagens de hormônio feminino, o que o fez adquirir seios.  Dedicou parte de sua vida ao auxílio de operações militares de espionagem, mas não teve direito à preservação da esfera privada de sua vida.

A castração química parece, hoje, um fantasma absurdo perdido na poeira do tempo. Porém, não se deve perder de vista a ameaça de um outro tipo de castração: a castração simbólica. Este tipo de castração não trabalha com hormônios, mas sim com atitudes que, igualmente, procuram inibir a energia vital e fazer nascer no indivíduo algum tipo de estigma silencioso que o impeça de, convivendo com os demais, manter sua vida produtiva.

A castração simbólica não opera com hormônios, mas, assim como estes, age de forma velada, por meio de gestos mudos produzidos pelas glândulas do desprezo, da intolerância e da própria tolerância: uma maneira de restringir a liberdade de ir e vir a guetos escriturados no cartório da “boa conduta”.

São João é fruto de uma ação divina que venceu a dupla castração da qual seus pais foram vítimas. João Batista era filho de Santa Isabel, uma mulher de idade avançada e, até então, considerada estéril.

Nesse período, uma mulher estéril estava, em certa medida, predestinada. Era considerada como uma pessoa amaldiçoada e socialmente inútil – por ser incapaz de gerar descendentes. Além disso, por não ter filhos, estaria potencialmente sujeita a uma viuvez solitária revestida do abandono e da miséria. Mas, a esterilidade de Isabel foi revertida e ela conseguiu desconcertar a soberba de uma sociedade acostumada a fazer da castração sinônimo de lógica e de destino.

Parte do potencial intelectual e vital de Turing foi desperdiçado com sua morte prematura aos 42 anos, após ter supostamente se suicidado, comendo metade de uma maçã na qual havia sido injetado cianeto. Em certa medida, a sociedade se comportou como uma terrível madrasta que lhe ofereceu a maçã envenenada e o medo de ter no outro um espelho.

Em 10 de setembro de 2009, após uma campanha  na internet, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown pediu, oficialmente, desculpas públicas, em nome do governo britânico, devido à maneira pela qual Turing foi tratado após a guerra.

22 de junho de 2012

Quando aprendi Francês para não saber o que dizer e desejar Un Bon Voyage



Bon Voyage Painting - Bon Voyage Fine Art Print - Ira Mitchell-Kirk





Deixo vocês com uma poesia de Cerevenise Stür. Logo em seguida, apresentamos o poema em sua língua original.



En Français
Um poema de Cerevenise Stür



 Quando comecei a aprender Francês, percebi algumas coisas comuns à aprendizagem de qualquer língua estrangeira...

... Comuns à aprendizagem do Estrangeiro:

Comuns à aprendizagem...

Incomuns

: Aprender uma língua não é qualquer coisa
Não é coisa qualquer porque implica coisas complicadamente simples

É preciso pedir licença para que o outro se permita nos ouvir
Preciso é que nos permitamos ser ouvidos pelo outro
Há que se ter cuidado...

Pois quem aprende uma nova língua
Calará um pouco da voz de sua alma
Ao chamar as vozes de outras pessoas
Para, nesta mesma alma, convidarem para dançar
Os silêncios de seu idioma natal.


É facto que
O meu Francês é
Feito de pedaços de vozes de outras pessoas
Pedaços íntegros,
Hesitações enriquecidas de radiativo sorriso
Anti-heroísmo no qual está plantada a promessa
De uma safra recorde de surpresa épica.

Não sei se erro, mon ange, ao dizer em Francês
O que o dom das infinitas línguas
Não se permitiu traduzir do meu idioma para si mesmo
O que a telepatia inutilmente tentou profanar
O que o mistério precipitadamente acreditou esconder
Não sei se erro ao dizer em Francês algo que
De tão sempre vivo e crescente
Não cabe nem em si
Quanto mais na palavra: essa lua minguante.

Porque, nem todos os dicionários juntos
Nem todos os circuitos integrados
Nem toda proeza das mentes e  das verdades
Me serão capazes de dar a palavra certa
Nesse exato momento, o expresso da palavra
De saída, está atrasado
De chegada, não consegue deixar a estação de origem.


E, depois de tanto Francês
De tantas vozes em mim
Descubro que aprendi Francês
Para te desejar, meu humano, Un Bon Voyage
E para não saber como dizer, em silêncio,
O quanto desejo que sejas feliz
E que tua presença esteja logo de volta.


En Français
Tradução

Quando comecei a aprender Francês, percebi algumas coisas comuns à aprendizagem de qualquer língua estrangeira...

... Comuns à aprendizagem do Estrangeiro:

Comuns à aprendizagem

Incomuns...

Aprender uma língua não é qualquer coisa
Não é coisa qualquer porque implica coisas complicadamente simples

É preciso pedir licença para que o outro se permita nos ouvir
Preciso é que nos permitamos ser ouvidos pelo outro
Há que se ter cuidado:

Pois quem aprende uma nova língua
Calará um pouco da voz de sua alma
Ao chamar as vozes de outras pessoas
Para, nesta mesma alma, convidarem para dançar
Os silêncios de seu idioma natal


É fato que
O meu Francês é
Feito de pedaços de vozes de outras pessoas
Pedaços íntegros,
Hesitações enriquecidas de radiativo sorriso
Anti-heroísmo no qual está plantada a promessa
De uma safra recorde de surpresa épica

Não sei se erro, meu humano, ao dizer em Francês
O que o dom das infinitas línguas
Não se permitiu traduzir do meu idioma para si mesmo
O que a telepatia inutilmente tentou profanar
O que o mistério precipitadamente acreditou esconder
Não sei se erro ao dizer, a Alguém, em Francês algo que
De tão sempre vivo e crescente
Não cabe nem em si
Quanto mais na palavra: essa lua minguante

Porque, nem todos os dicionários juntos
Nem todos os circuitos integrados
Nem toda proeza das mentes e  das verdades
Me serão capazes de dar a palavra certa
Nesse exato momento, o expresso da palavra
De saída, está atrasado
De chegada, não consegue deixar a estação de origem


E, depois de tanto Francês
De tantas vozes em mim
Descubro que aprendi Francês
Para te desejar, mon ange, Un Bom Voyage
E para não saber como dizer, em silêncio,
O quanto desejo que sejas feliz
E que tua presença esteja logo de volta.
O quanto desejo, na tua aterrissagem, estar de volta ou de ida em teu coração.

17 de junho de 2012

O segundo primeiro beijo: o homem que atravessou o Niágara a bordo de uma corda bamba


Nick Wallenda atravessa as cataratas, dos EUA para o Canadá


Fotografia © Mark Blinch/ Reuters



Os textos a seguir são assinados por Anônimo Silvan, que se autointitula poeta-repórter (ou vice-versa).



A segunda primeira vez

Alcino perdeu a memória
E sua esposa teve de aprender a se refletir
No rosto de um Odisseu absurdo
Que, entre um sonho e um acordar,

Fez dela um ninguém:
Nem épica, nem romântica
Nem inimiga, nem intrigada, nem divorciada

Simplesmente ela havia sido deslembrada
Mas não pôde se esquecer de lembrar quem ama
Ela ficou com um verdadeiro tesouro
Que tinha um valor imenso e doído,
Pois não era capaz de mostrar o caminho
Para que o alguém que ela amava chegasse ao mapa

E quis encontrar no esquecimento dele
um resto que fosse dela: fosse abstrato ou concreto,
Armado ou desarmado
Ela ficaria contente em ser o resto
Como um rastro de pólvora que
Beijado pelo milagre
Fizesse brilhar nos ares águas de artifício

E quis
No esquecimento
Desarmado
Contente
Rastro
Pelo milagre
Fazer brilhar

Do não sei onde, para onde vão os pensamentos
Alcino avistou o amor à primeira vista
Na mesma mulher que por ele já havia sido vista tantas vezes,
Incluindo a última vez
E ganhou o dom de pela segunda vez dar o primeiro beijo

E quis
No esquecimento
Desarmado
Contente
Rastro
Pelo milagre
Fazer brilhar

E ela, que havia sido esquecida
Foi trocada por ela mesma
Foi amada como nenhuma outra
Ao se tornar a outra de si mesma
E, assim, a traição mais vil
Tornou-se a maior prova de amor

Alcino aprendeu a re-amar
E ganhou o dom de relembrar
E de ter achado o tesouro
Na perda e no reencontro


E quis
No esquecimento *
Desarmado
Contente
Rastro
Pelo milagre
Fazer brilhar
Priscila

* "Não tinha lembrança, mas o amor estava ali", conta Alcino.

Homem viaja dos Estados Unidos para o Canadá a bordo de uma corda bamba

O filho pediu ao pai
Que esquecesse a promessa
De ao chegar no meio abismo
Parar para fazer uma ligação
Para sua amada,
Lembrando a ela que
Metade do risco de cair havia passado
O filho só queria que aquela travessia acabasse
E
O pai, que atendera ao filho,
Conseguiu finalizar a jornada à bordo das cataratas do Niágara
E, já no Canadá, apresentou o passaporte
E evitou ser multado
Por, em trânsito, fazer ligação de celular.





Nik Wallenda: primeiro a atravessar as cataratas do Niágara a bordo de uma corda bamba





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