1 de junho de 2026

Poema da leitura labial

 


Quando estou longe-perto de você,

Acabo destreinado por mais que eu aprenda

Porque meu olhar quando reencontra você

Dorme no seu colo


Que bom que a partícula que sou nos confins do sem fim

Tem a chance de saber que você sabe que o você para quem escrevo é você e não outro


Eu nunca quero ir dormir brigado com você

Porque, no final dos tempos, é de mãos dadas com você que quero dobrar a esquina

Deixa, de quando em vez, meus lábios, sem emitirem som algum

Chamarem você de meu amor,, como chama que silencia em ardor no peito do mar,

Que a wabi sabi de cor e assalteado

Porque, mesmo sem falar, mesmo distante, o que eu sinto pode ser lido nos lábios do espaço-tempo


Quando eu estiver no seu lugar sagrado,

Sobe onde eu durmo encosta sua respiração no cangote da minha inspiração

Até que as roupas da minha alma se desintegrem, revestindo-me de arrepio

Que vence qualquer medo e terror


Minha mão pequena quer se perder indo ao encontro da sua

Quando nossas mãos se tocam,

O universo soluça, e, da palma da minha mão, brota alma


O cansaço não vai me deixar continuar esse poema

Que este verso seja desculpa

Pra acender o sol na próxima vez que a poesia for dormir




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